Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.

De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.

Clarice Lispector


Tantos erros, acertos

Tantas desculpas, pretextos
E as coisas que mudaram de repente

As noites que não passam
Os dias que não voltam
As esperanças se perdem
Na escuridão

Os planos são desfeitos
E as pessoas se vão
Tudo isso ao mesmo tempo
Onde estará então?

Teu olhar, o seu olhar
Que me dá forças
Pra continuar, pra tentar
Outra vez

Na luz do seu olhar
É onde eu quero estar
Pra sempre...
Sempre com você

Esse foi escrito também mais ou menos a três anos, por isso segue a mesma linha...


Os dias passam
Tanto tempo já passou
As coisas mudam sempre,
Tantas vezes

Já me acostumei
Com o silêncio da sua ausência
Já me acostumei
A não ter você aqui

As coisas às vezes ficam complicadas
Às vezes são tão chatas
E sem você tudo é sem graça

Já me acostumei
Com a saudade
Já me acostumei
Em não ter o teu sorriso, teu olhar
Pra me consolar

Você foi embora,
Ficou a saudade
Sonhos vão embora
Mas a solidão não

Escrevi isso a uns três anos atrás... Às vezes me parece um poema, outras me parece uma música...