"Tantas coisas passando, flutuando, correndo pelos meus pensamentos... Me encontro agora perdida, sem rumo, sem volta, já não corro porque não há mais tempo e porque não tenho mais que acompanhar seus passos tão incertos quanto os meus, mesmo assim no fundo sei que se puxar o fio do novelo ainda encontrarei o caminho até você, mas tenho medo pois uma pergunta ainda paira... Será que você ainda me espera?"
Engraçado como as coisas acontecem, você conhece uma pessoa e ela é apenas mais uma, um colega, um conhecido, de repente você acorda um dia e descobre o quanto essa pessoa é especial na sua vida e quanta diferença faz um abraço ou um sms que seja, os sorrisos trocados, as brincadeiras bobas ou as lágrimas compartilhadas. Quantas emoções, alegres ou tristes, reprimidas ou trocadas, afinal nem sempre dá pra controlar a raiva e alguns desentendimentos são normais em todas as relações.
Nunca dá para saber como vamos perder alguém , pode ser de maneira violenta ou simplesmente uma ruptura sem razões aparentes, mas de toda forma é sempre inesperado e sempre dói. Claro que o sentimento de perda sempre faz o coração ficar fragilizado, talvez porque nós, seres humanos, estamos tão acostumados com a possessão das coisas e acabamos esquecendo que no fundo as pessoas não nos pertencem... Mas quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração??
Vejo a trilha que terei que seguir, sei que não será fácil, sei que haverá momentos de dúvida, de medo, mas eu tenho que seguir, voltar não é uma opção. Caminho lentamente, não tenho pressa, aprecio a paisagem ao meu redor, ás vezes tão calma, serena, como um lago, me enchendo de paz...
Mas nem sempre a paz prevalece...
Continuarei caminhando, simplesmente porque já não suporto a ideia de ficar parada, a estagnação me parece uma doença, que me privará de continuar vivendo, vendo, andando, seguindo a trilha que apenas os meus pés sabem onde acabará, mas que por hora, não quero que acabe tão cedo...
Só por hoje quero esquecer que vivo num mundo egoísta e desumano,
Um mundo triste e sem graça, cheio de hipocrisia.
Hoje eu quero me perder nas fantasias loucas e inusitadas.
Hoje eu quero viver no meu mundo, onde nada me falta.
Meu mundo sem dores e sem disabores.
Hoje quero ver e viver tudo o que é impossível.
Tudo o que é além...
Hoje não quero lembrar dos esquecidos, dos afogados, dos perdidos.
Esquecer todo o sofrimento.
Hoje eu quero a ignorância, a falsa felicidade.
Só por hoje.
Os olhos são familiares, lá no fundo posso ver o brilho que um dia conheci, o cabelo tenho certeza que não é o mesmo, lembro vagamente que ele parece mudar muitas e muitas vezes, tantos detalhes em tão pouco, maçãs do rosto, teta, sobrancelhas, a covinha do queixo... Mas o que acaba por me chama a atenção são as olheiras profundas que dão um ar de tristeza e cansaço...
A estranha do espelho me observa.
Vejo que o tempo passou tão rápido, ou talvez apenas pareça, 1 ano ou 10, qual a diferença?
Tudo muda e isso nunca mudará! Sim está ali, eu sei que mudou, mas não posso fazer nada além de observar as marcas de tantas mudanças...
Sei que os olhos da estranha são meus próprios olhos, e queria que não fosse, vez ou outra eles adquirem um ar frio e distante, às vezes tornam-se duros ou tristes, fardos muito grandes para um simples olhar. Mas não esqueço que eles tiveram um ar divertido e despreocupado, sinto falta da aurora infantil que enfeitava esse semblante e o consolo que me resta é saber que algumas vezes ainda poderei ver uma réstia dela.
A estranha do espelho me sorri.
Bem, já que o tempo já passou, que não posso voltar atrás ou mudar o que já foi, conformo-me com o que tenho e deixo de lado os sofrimentos e pesares, porque muitos ainda virão e não serei eu a carregar os fardos sozinha.
Simplesmente viverei, seguirei o caminho que a vida me indicar ou aquele por onde meus pés me levarem...
Vejo ao meu redor as pessoas tão armadas e me sinto tão indefesa, eu tento evitar o confronto, tento não ir a guerra, mas tudo o que consigo de batalha em batalha é me ferir...
Todos estão com suas armaduras reluzentes, espadas, lanças, arcos à postos, todos preparados... Entro no confronto sem vontade, as feridas da minha alma ainda sangram, mas o que posso fazer se uma vez desafiada não posso voltar atrás? Levo meu escudo revestido de orgulho, meu maior protetor durante todos esse anos, minhas armas, não são tão boas, talvez por falta de prática...
Dizem que apenas três coisas não podem voltar atrás e entre elas está a palavra mal dita e, julgo eu, ser essa a mais mortal delas. Palavras duras e afiadas rasgam, dilaceram, fazem verter as lágrimas sangrentas, destroem os sentimentos e massacram até mesmo a esperança."Sonho parece verdade quando a gente esquece de acordar..."
Os sonhos são o que nos mantém vivos, são os nossos desejos e esperanças. Eles são responsáveis pela vontade de viver. Somos movidos pelos nossos sonhos.
Mas já não sei onde está aquela menina sonhadora, com tanta força de vontade, ela tirou férias inesperadamente, me deixando aqui, apenas um arremedo sem a vivacidade de outrora, a chama da esperança agora brilha tão fraca...
Meus sonhos esvaíram-se em fumaça, talvez por culpa minha, talvez por que tinha que ser assim, agora vivo dos sonhos desconexos, dos contrastes, da tristeza que vejo no mundo real, não há mais o ideal, não idealizo mais, apenas sigo, observo, virei a espectadora dos sonhos perdidos, destruídos pela fatalidade da vida. Triste? Talvez...
Doces sonhos onde foram parar? Sonhos infantis, felizes, doces sonhos...
Um dia talvez eu volte a ver o mundo com seu toque irreal, volte a sentir a esperança e a simplicidade, no momento me desligo de tudo, esqueço as infinitas possibilidades que um sonho trás e esqueço toda a amargura que o mundo real me mostra e me fecho no meu mundo onde eu delimito realidade e fantasia.
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| O tão famoso sapatinho de cristal |
O fato é que a história da Cinderela cria a perspectiva de que um dia, depois de você sofrer muito, um lindo príncipe vai aparecer, vocês irão se apaixonar e viverão felizes para sempre, desculpa mas eu não acredito nisso. Depois das mulheres serem usadas como moeda, lutarem pelos seus direitos e enfrentar preconceito, não consigo acreditar que surgira um príncipe e me salvará...
Olho o mar, tão lindo, longínquo, profundo e mesmo que eu esteja molhando meus pés nele ainda parece tão distante... Sinto o mar, que molha meus pés e a brisa que envolve meu corpo...
O mar que escondeu tantos mistérios ao longo dos anos, sendo tão forte e infindável, encontra-se diante de mim, abrindo um leque inimaginável de possibilidades, ele me chama. Eu vou. O desconhecido me espera, não tenho medo, não me assusto, estou encantada demais, perdida demais em meio as minhas próprias ilusões pra me preocupar...
Estou envolta dos meus desejos e sonhos, planos e desavenças, tudo misturado, como a paixão e a dor...
Quando me sinto totalmente perdida, já sem noção, do ontem ou do amanhã, quando as palavras se confundem, se embaralham, se contradizem até mesmo dentro da minha cabeça, paro para tomar fôlego e olho pro céu.
Durante o dia esse céu tão azul e infinito quanto o mar profundo, e o sol que brilhando aquece os sonhos perdidos e as esperanças despedaçadas, ele segue sua rota, dia após dia...
Mas eu ainda estou aqui, presa num mar de segundos naufragados, olhando para o deserto aquático que me separa de tudo e de todos, solidão, saudade, vazio... Ao longe, tudo está tão longe que não sei como chegar, observo os mistérios do mar, descubro seus caprichos, vejo seus truques, me cerco cada vez mais de mar e mar e mar...
A maré leva meu corpo, eu deixo ela levar, minha única companheira de viagem, divido meus sentimentos, pensamentos e devaneios com ela, seguimos o curso, não sei qual, mas sempre seguimos. Já não há caminho de volta, nem como voltar, passou o momento como outrora passou-se o ponto, mas dessa vez assumo a culpa, me deixei levar.
Eis que agora chega a tempestade, assolado pelo mau tempo, o mar se torna agitado e bravio, assustando-me, pela primeira vez me incomoda estar sozinha, pela primeira vez tenho medo. Mas não tenho para onde fugir e nem mesmo como, sem escolha sou jogada de um lado para o outro em um turbilhão...
"Depois da tempestade vem a calmaria" e nessa calmaria eu repouso, mas sei que a qualquer momento outra tempestade pode chegar e mesmo que eu me prepare ela sempre conseguirá me desestruturar...
Nesse mar, um oceano de possibilidades me invade, trás novidades e novas descobertas, trás um mundo novo, fantástico, inebriante mundo. Por isso me perco, fico à deriva e aprecio a viagem que se segue, me deixo levar sim, afinal a vida não é uma aventura?
"Se estou perdida num desatino, se estou sem rumo num devaneio, se estou distraída numa imensa perdição, sem rumo, sem destino, sem futuro. Mas o futuro onde está? Será aquele ponto brilhante no céu ou seu reflexo no mar?" (Anônimo)
















