"Barco sem porto, sem rumo, sem vela..."

Mais uma manhã fria, a luz pálida era barrada pela cortina azul escuro, tornando o quarto um ambiente estranho... Quantos pontos já haviam passado pelo tortuoso caminho? Não fazia diferença... As escolhas sempre mudam as coisas de uma forma ou de outra, para o bem ou para o mal, uma escolha interfere na vida de todos que estão ao seu alcance e pode ir mais além... O agora nunca estava garantido, a verdade é que cada segundo muda tudo (até o que não queremos que mude)... Segundos, minutos, horas, às vezes não tenho certeza no que um se difere do outro, alguns dias a diferença entre um minuto e uma hora está apenas dentro da minha cabeça. Confuso, eu sei, sempre é.


Olho ao meu redor tentando entender em que loucura estou metida, vozes, luzes, sons, cores, tudo me confunde, me desnorteia, como alguém que ficou muito tempo dentro de uma caverna e só agora teve coragem de sair para a luz do dia. Mas eu não possuo as respostas, acabo imersa em inúmeras dúvidas, posso procurar as respostas em todos os lugares, mas as que estão dentro de mim sinto que jamais encontrarei, de repente não sei mais os caminhos que deveria percorrer, tanto tempo preocupada em conhecer as pessoas que agora esqueço quem sou, me perco no meio dos caminhos que não me pertencem, vez ou outra fico presa em um beco sem saída, ou sigo por caminhos sem volta...


Apesar de tudo estou seguindo, mesmo quando acho que a única alternativa é desistir, minha teimosia persiste, então sigo, tento encontrar o caminho certo, mas sei que só estou seguindo o meu próprio caminho, aquele em que temos que seguir sozinhos, um tracinho de cada vez. Às vezes, esse caminho pode ser muito solitário, ou escuro, ou assustador, mas para mim, não faz mais diferença, porque às vezes tudo que mais quero é caminhar um pouco, sozinha...


Vejo a trilha que terei que seguir, sei que não será fácil, sei que haverá momentos de dúvida, de medo, mas eu tenho que seguir, voltar não é uma opção. Caminho lentamente, não tenho pressa, aprecio a paisagem ao meu redor, ás vezes tão calma, serena, como um lago, me enchendo de paz...
Mas nem sempre a paz prevalece...

Já percorri um caminho, não tão longo, mas mesmo assim, parece que foi muito mais do que eu pensei que suportaria. Tem dias em que tudo parece ser um peso demasiado, fico cansada, sinto vontade de desistir, mas alguma coisa (que eu ainda não sei definir), me impele a continuar... Outros dias me pego pensando  onde eu teria chegado se tivesse tomado direções diferentes nas inúmeras bifurcações pelas quais eu passei, será que a direita teria sido mais fácil? Acabo chegando as mesmas conclusões, teria encontrado outras pessoas pelo caminho, teria visto uma ou outra coisa que não vi, mas certamente sofreria a mesma coisa, essa parte é difícil de mudar...

Continuarei caminhando, simplesmente porque já não suporto a ideia de ficar parada, a estagnação me parece uma doença, que me privará de continuar vivendo, vendo, andando, seguindo a trilha que apenas os meus pés sabem onde acabará, mas que por hora, não quero que acabe tão cedo...