Hoje eu percebi que eu não te amo mais, estranho que ao contrário do que imaginei tantas vezes não me sinto vazio, me sinto aliviado. Na verdade eu sinto pena do que fizemos com o que sentíamos um pelo outro, pena desses tantos meses que passamos desperdiçando tentando convencer que o amor virou ódio, pelo menos no meu caso não é verdade e agora sei que nunca será. Vivemos tantos momentos especiais que eu vou guardar pra sempre, assim como sempre vou me lembrar que foi você que me tornou mais paciente e tolerante ao partilhar um pedaço da minha vida com você...
Não sei o que causou esse meu despertar, mas hoje o seu fantasma não perturba mais meu sono, não sinto o peso da sua ausência ao acordar, nem mesmo me lembro porque me prendi a tantos sentimentos negativos por tanto tempo, porque insisti tanto em ver o céu nublado enquanto dias cheios de sol estavam me esperando... No fundo sei que percorri o caminho que tinha que percorrer, o começo foi difícil sim, mas são essas dificuldades que fazem a gente mudar, evoluir e agora eu cheguei na próxima fase! Hoje eu estou me amando mais, o espelho me sorri de volta e quem sabe eu não encontro o final do arco-íris por acidente? Sinto que sou capaz de tudo e um pouco mais...
Não, eu não quero que você se sinta mal e se afogue na bebedeira, nem que me xingue ao ler essas linhas, tampouco estou tripudiando sobre a sua tristeza, é que eu quero que você também encontre essa liberdade de viver e de amar, que você perceba que fomos muito felizes juntos e que nos separamos para podermos continuar sendo felizes.Li um texto um dia desses que dizia que a felicidade tem que vir de dentro, e concordo plenamente, nós que levamos a felicidade para a vida e nós mesmos nos privamos dela.
Hoje eu me permito mais, não sei se algum dia irei sentir novamente o que senti por você ou se você era o amor da minha vida que deixei escapar, mas vou dar mais chances para a vida me mostrar coisas novas, pessoas e novos sentimentos. Hoje eu desejo que você encontre mais flores pelo caminho do que pedras e que se um dia nossos caminhos se cruzarem novamente que você sorria, me cumprimente e me conte que "a vida vai bem, obrigada", que não dói mais quando um amigo toca no meu nome e que não tem mais aquele receio de nunca mais encontrar as coisas boas que a vida nos oferece todos os dias.
Ele dormia profundamente e por alguns segundos ela teve medo de se movimentar e quebrar o encanto daquele momento. Permaneceu de olhos fechados utilizando os outros sentidos para absorver cada segundo daquele momento, já estava acostumada com o perfume que ele exalava, sentia o movimento de seus tórax sincronizados, ouviu o som do ar entrando e saindo e os sons da manhã longínquos, o calor que emanava da pele dele era o que a mantia aquecida. Por alguns segundos se perdeu nessas sensações até relaxar e cair novamente no sono.
Acordou num sobressalto, a cama ao seu lado estava vazia e a janela entreaberta mostrava que era um lindo dia de sol, tomou um banho rápido e vestiu a primeira camisa dele que encontrou, desceu as escadas devagar e o encontrou na sala, jogado no sofá, prestando atenção em algum documentário que passava na TV, ela sentou-se ao lado dele e pela força do hábito ele a puxou para mais perto envolvendo-a carinhosamente, ela deitou a cabeça em seu ombro e relaxou o corpo, naqueles braços era onde se sentia uma sensação indescritível de segurança como se nada pudesse alcançá-la ali...
Ela não se considerava romântica, não esperava receber flores e bombons ou que ele sempre abrisse a porta do carro, mas aos poucos foi descobrindo que o romantismo pode estar no carinho e no respeito que ele demonstrava num abraço ou naquela forma tão única que ele tinha de fazer seus corpos se encaixarem perfeitamente... Ela se pegou relembrando seus relacionamentos anteriores e (mesmo achando errado) se viu comparando, apenas para constatar que ele foi o único que fazia com que ela sentisse o mundo se encaixar... Talvez fosse isso afinal, ele sabia fazer as coisas se encaixarem, sabia fazer seu mundo parecer seguro e completo, passou o resto do dia imersa nesses pensamentos, imersa nas lembranças...
Lembrou-se daquela primeira noite, o sono demorou a vir e as imagens rodavam em sua mente, as sensações recém vividas ainda percorriam por seu corpo, como se cada simples toque queimasse em sua pele. Só de lembrar do momento em que seus lábios de encontraram pela primeira vez sentia algo se agitar dentro de si enquanto sua pulsação acelerava, começou a recordar os acontecimentos do dia. Ela tinha certeza que cada segundo ficaria sempre gravado em sua mente, podia reviver quadro a quadro o melhor dia de sua vida, onde mundo não poderia estar mais belo...
Ele não era o típico playboyzinho, nem o rebelde sem causa e nem de longe se pareceria com um mocinho do cinema, ele era um cara normal, desses que não chamam muita atenção e parecem que nunca fizeram nada de extraordinário, mas que trabalham e estudam mesmo que ainda não saibam onde vão parar... Nisso eles eram parecidos, mas na maioria das coisas eram contrários, talvez até contraditórios, havia momentos em que ela deixava o silêncio preencher o espaço entre eles, simplesmente não sabia o que dizer, tinha medo de parecer tola demais, a verdade é que nunca foi muito boa em puxar assunto, mesmo assim a companhia dele era acolhedora e só de estar perto dele ela se sentia completa, muitos dizem que os opostos se atraem mas ela descobriu que às vezes você precisa de alguém que te complete.
Depois de muitas reflexões decidiu parar de pensar em tudo aquilo, geralmente quando pensava demais em algo as coisas costumavam dar errado, então parou de pensar e deixo apenas que os sentimentos tomassem conta de si. Percebeu que estava apaixonada e sabia que naquela altura era irremediável, mas o que tem demais em esquecer um pouco dos problemas diários dentro de um abraço que fazia o mundo parecer mais correto? Qual o problema de ter um sorriso acolhedor? Nenhum. Na verdade quando alguém te completa, todos os problemas desaparecem.
Ela notou que ele tinha o sorriso mais bonito da cidade e o senso de humor de um comediante de quinta categoria, mesmo assim ria de suas piadas ruins, ele é do tipo que realmente se preocupa quando ela diz que tudo está uma droga e que quer fazer o mundo dela cada dia mais bonito... Então ela notou que estava presa num grande clichê, como se a sua grande história de amor fosse mais um filme da sessão da tarde, mas ela não se importou nem um pouco, quis mesmo aproveitar cada segundo do brilho no olhar ao cafuné, não quis se privar da felicidade de ter alguém que a fizesse sentir borboletas no estômago.
Ela não se considerava romântica, não esperava receber flores e bombons ou que ele sempre abrisse a porta do carro, mas aos poucos foi descobrindo que o romantismo pode estar no carinho e no respeito que ele demonstrava num abraço ou naquela forma tão única que ele tinha de fazer seus corpos se encaixarem perfeitamente... Ela se pegou relembrando seus relacionamentos anteriores e (mesmo achando errado) se viu comparando, apenas para constatar que ele foi o único que fazia com que ela sentisse o mundo se encaixar... Talvez fosse isso afinal, ele sabia fazer as coisas se encaixarem, sabia fazer seu mundo parecer seguro e completo, passou o resto do dia imersa nesses pensamentos, imersa nas lembranças...
Lembrou-se daquela primeira noite, o sono demorou a vir e as imagens rodavam em sua mente, as sensações recém vividas ainda percorriam por seu corpo, como se cada simples toque queimasse em sua pele. Só de lembrar do momento em que seus lábios de encontraram pela primeira vez sentia algo se agitar dentro de si enquanto sua pulsação acelerava, começou a recordar os acontecimentos do dia. Ela tinha certeza que cada segundo ficaria sempre gravado em sua mente, podia reviver quadro a quadro o melhor dia de sua vida, onde mundo não poderia estar mais belo...
Caminhava pela rua sorrindo sozinha e cantando a música que tocava alto em seus fones, até o calor do sol parecia na medida certa, será que estava vivendo a cena de um de seus filmes favoritos? Antes ela não acreditava nesses sentimentos tolos, nesse riso sem motivo, nessa coisa de borboletas no estômago que os romances descrevem, sempre acreditou que esse tipo de coisa "não era pra ela", aqueles amores dos seus livros favoritos não acontecem fora de suas páginas, mas ele aconteceu...
Ele não era o típico playboyzinho, nem o rebelde sem causa e nem de longe se pareceria com um mocinho do cinema, ele era um cara normal, desses que não chamam muita atenção e parecem que nunca fizeram nada de extraordinário, mas que trabalham e estudam mesmo que ainda não saibam onde vão parar... Nisso eles eram parecidos, mas na maioria das coisas eram contrários, talvez até contraditórios, havia momentos em que ela deixava o silêncio preencher o espaço entre eles, simplesmente não sabia o que dizer, tinha medo de parecer tola demais, a verdade é que nunca foi muito boa em puxar assunto, mesmo assim a companhia dele era acolhedora e só de estar perto dele ela se sentia completa, muitos dizem que os opostos se atraem mas ela descobriu que às vezes você precisa de alguém que te complete.
Depois de muitas reflexões decidiu parar de pensar em tudo aquilo, geralmente quando pensava demais em algo as coisas costumavam dar errado, então parou de pensar e deixo apenas que os sentimentos tomassem conta de si. Percebeu que estava apaixonada e sabia que naquela altura era irremediável, mas o que tem demais em esquecer um pouco dos problemas diários dentro de um abraço que fazia o mundo parecer mais correto? Qual o problema de ter um sorriso acolhedor? Nenhum. Na verdade quando alguém te completa, todos os problemas desaparecem.
Ela notou que ele tinha o sorriso mais bonito da cidade e o senso de humor de um comediante de quinta categoria, mesmo assim ria de suas piadas ruins, ele é do tipo que realmente se preocupa quando ela diz que tudo está uma droga e que quer fazer o mundo dela cada dia mais bonito... Então ela notou que estava presa num grande clichê, como se a sua grande história de amor fosse mais um filme da sessão da tarde, mas ela não se importou nem um pouco, quis mesmo aproveitar cada segundo do brilho no olhar ao cafuné, não quis se privar da felicidade de ter alguém que a fizesse sentir borboletas no estômago.
Ele era tudo o que ela queria. Simples assim.
A começar pelos cabelos escuros e bagunçados, pelo seus ombros largos e pelo gosto musical. Ele era atencioso do jeito certo, e sabia fazê-la rir, e não faltava assunto entre eles e claro ele tinha aquela cara de mau que ela sempre gostou, mas ela sabia que ele de mau não tinha nada. Passavam horas juntos que pareciam minutos, tinham tantas coisas em comum, era sempre pra ele que ela corria quando tinha algum problema e com quem queria compartilhar todas as felicidades. Ele era mais que um amigo perfeito e mais que um porto seguro, mais muito mais...
A brisa brincava suavemente com as folhas da árvore e por um momento ela observou o contraste do verde escuro da folhagem com o céu azul claro, então percebeu que os olhos cinzentos a encaravam e por um momento sentiu-se encabular. Incrível como mesmo após anos ele ainda conseguia fazer suas bochechas arderem apenas com um olhar, incrível também os olhos cinzentos serem tão profundos. Depois de alguns segundos tentou voltar ao livro, mas era impossível se concentrar sob aquele olhar.
As palavras estavam presas na garganta dele, sufocando-o, claro que algumas frases soltas escapavam pela garganta e alcançavam os olhos e o pior é a certeza que ela podia compreender tudo o que estava lhe afligindo, passou aquelas últimas horas reunindo coragem para olhar no fundo dos olhos dela e falar absolutamente tudo que havia planejado durante semanas, mas como sempre acontecia sentiu-se desarmar pela franqueza daqueles olhos castanhos.
Buscando reorganizar os pensamentos, observou as sardas que ela tinha no nariz e as covinhas que se formavam quando ela sorria entretida com a história, como ela conseguia se perder facilmente nas paginas de um livro ele jamais entenderia, nem os seus rompantes e mudanças de humor e muito menos como ela havia se tornado alguém tão especial em sua vida. Respirou fundo mas quando pensou estar pronto defrontou-se com um olhar inquisidor e novamente as palavras se perderam...
Caminhavam pela rua lentamente, cada um perdido em seus próprios pensamentos, mas no mesmo andar compassado de duas pessoas acostumadas a caminhar juntos, ela queria fazer milhares de perguntas, sobre as decisões que ele tomara e principalmente que lhe explicasse como seria viver sem ele, sem as horas de conversa e o riso fácil, sem o abraço perfeito e as brigas pela última bala do pacote. Mas mesmo que fizesse todas essas perguntas e muitas mais, no fundo sabia que não haveria respostas suficiente para a tristeza da separação, ele decidira partir e isso era irremediável.
No dia da partida ele passou na casa dela, não era muito bom com despedidas e por mais que ela tivesse insistido em fazer uma festa ou de levá-lo até a rodoviária ele convenceu que a melhor despedida seria terem um momento só deles como os muitos que haviam compartilhado ao longo dos anos. Passaram a manhã toda conversando e ouvindo música, evitaram ao máximo a estranheza de que a partir do dia seguinte não teriam um momento como esse por tempo indeterminado ou talvez, nunca mais.
As palavras estavam presas na garganta dele, sufocando-o, claro que algumas frases soltas escapavam pela garganta e alcançavam os olhos e o pior é a certeza que ela podia compreender tudo o que estava lhe afligindo, passou aquelas últimas horas reunindo coragem para olhar no fundo dos olhos dela e falar absolutamente tudo que havia planejado durante semanas, mas como sempre acontecia sentiu-se desarmar pela franqueza daqueles olhos castanhos.
Buscando reorganizar os pensamentos, observou as sardas que ela tinha no nariz e as covinhas que se formavam quando ela sorria entretida com a história, como ela conseguia se perder facilmente nas paginas de um livro ele jamais entenderia, nem os seus rompantes e mudanças de humor e muito menos como ela havia se tornado alguém tão especial em sua vida. Respirou fundo mas quando pensou estar pronto defrontou-se com um olhar inquisidor e novamente as palavras se perderam...
Caminhavam pela rua lentamente, cada um perdido em seus próprios pensamentos, mas no mesmo andar compassado de duas pessoas acostumadas a caminhar juntos, ela queria fazer milhares de perguntas, sobre as decisões que ele tomara e principalmente que lhe explicasse como seria viver sem ele, sem as horas de conversa e o riso fácil, sem o abraço perfeito e as brigas pela última bala do pacote. Mas mesmo que fizesse todas essas perguntas e muitas mais, no fundo sabia que não haveria respostas suficiente para a tristeza da separação, ele decidira partir e isso era irremediável.
No dia da partida ele passou na casa dela, não era muito bom com despedidas e por mais que ela tivesse insistido em fazer uma festa ou de levá-lo até a rodoviária ele convenceu que a melhor despedida seria terem um momento só deles como os muitos que haviam compartilhado ao longo dos anos. Passaram a manhã toda conversando e ouvindo música, evitaram ao máximo a estranheza de que a partir do dia seguinte não teriam um momento como esse por tempo indeterminado ou talvez, nunca mais.
Eu procurava por alguém que entendesse o que eu dizia com o olhar, que entendesse que eu posso acordar feliz e ir dormir chorando sem nenhum motivo aparente. Eu procurava pela pessoa que saberia de cor todas as minhas músicas favoritas, mesmo que não gostasse de alguma delas, e que me acompanharia aos diversos shows, nos mais variados teatros e sempre que possível me levaria ao cinema.
Eu procurava por alguém que iria me abraçar sempre que eu estivesse carente ou somente para me mostrar que está ao meu lado e que quando eu acordasse chorando no meio da noite seguraria a minha mão, me acalmaria com cafuné enquanto meus pesadelos se tornassem sonhos.
Eu procurei pela pessoa que saberia agradar todos os meus gostos, que desculparia minhas manias bobas e que gostaria de se deitar num parque só para olhar o céu... E que além de concordar comigo no final das contas também dividiria o último pedaço de chocolate.
Eu procurei por alguém que teria coragem de me dar broncas quando eu merecesse, mesmo que eu demorasse a perceber e muito teimosa para assumir, e que me desse conselhos quando eu sentisse que o mundo está de pernas para o ar e tudo fica meio sem sentido.
Eu queria encontrar aquela pessoa que sempre consegue me deixar envergonhada quando eu menos espero e que me faça rir quando eu tiver vontade de chorar. Eu queria encontrar alguém pra quem eu pudesse contar todos os meus segredos, alguém que ri dos meus comentários bobos, eu procurei com quem discutir por motivos tolos, rir de idiotices e brigar por teimosia, mas principalmente eu queria que essa pessoa me ensinasse coisas novas, inclusive como ver o mundo com outros olhos...
Eu tenho tanta coisa para te dizer, mas não sei como, não sou corajosa ao ponto de me expor completamente para você, até porque nós dois já vimos que nosso sentimentos são conflituosos e que na hora da sinceridade só machucamos a nós mesmos. Ainda assim, construímos uma história juntos e mesmo daqui a séculos, você terá feito parte da minha vida, sei que seguiremos estradas diferentes (sim eu sempre penso na vida como uma estrada, é mais fácil pra mim) e sei que já começamos a fazer isso, inevitável depois de tantas tribulações...
Mas eu realmente queira que você soubesse, que você mora em meu coração, e que sempre lembro de você em minhas orações (por um longo tempo eu apenas pedia pra encontrar uma forma de superar a mágoa que eu estava sentindo, mas agora simplesmente peço que seu caminho seja guiado), e que todo aquele sentimento negativo que eu sentia foi ofuscado pelo carinho que sempre senti por você.
Eu queria poder pedir desculpas, assim sei que você se sentiria melhor em relação a mim, mas sou incapaz de pedir desculpas sem me arrepender de verdade e não me sinto arrependida de nada, talvez tenha me excedido em algum momento, mas todas as outras atitudes não foram partes do meu comportamento habitual e eu não mudaria isso, e naquele momento eu realmente acreditava que você estava errado e eu dona da razão, mas como a vida é engraçada vi inúmeras situações e não acho que eu não era a pessoa apropriada para definir quem estava certo ou errado.
No momento o que me dói mais é a saudade que sinto da sua presença, como pode fazer falta o jeito como você chama meu nome ou o seu abraço, nem mesmo sei o que eu sentiria se te abraçasse agora, talvez eu não conseguisse retribuir ou se algo dentro de mim irá desmoronar, mas já aprendi a conviver sem você e sei que sobreviverei e seguirei minha estrada, afinal a vida é assim, pessoas entrando e saindo de sua vida quando você menos espera e algumas vezes se perde pessoas incríveis e outras se ganham companheiros para vida toda.
Sei que nossa história não acabou, mesmo distante temos laços e se você puxar a ponta que nos une sei que irei retribuir, mas se eu não tiver uma segunda chance, queria que você soubesse de toda essa confusão sentimental que sinto por você e que quando precisar e vou estar aqui (caso você lembre de mim), mas por enquanto estou mais ocupada com as pessoas que realmente precisam de mim....

"Tantas coisas passando, flutuando, correndo pelos meus pensamentos... Me encontro agora perdida, sem rumo, sem volta, já não corro porque não há mais tempo e porque não tenho mais que acompanhar seus passos tão incertos quanto os meus, mesmo assim no fundo sei que se puxar o fio do novelo ainda encontrarei o caminho até você, mas tenho medo pois uma pergunta ainda paira... Será que você ainda me espera?"
Engraçado como as coisas acontecem, você conhece uma pessoa e ela é apenas mais uma, um colega, um conhecido, de repente você acorda um dia e descobre o quanto essa pessoa é especial na sua vida e quanta diferença faz um abraço ou um sms que seja, os sorrisos trocados, as brincadeiras bobas ou as lágrimas compartilhadas. Quantas emoções, alegres ou tristes, reprimidas ou trocadas, afinal nem sempre dá pra controlar a raiva e alguns desentendimentos são normais em todas as relações.
Mas nessa equação doida existe um fator chamado tempo e o tempo sempre acrescenta outras milhares de coisas, nos enche de inúmeras oportunidades, mostra-nos milhões de caminhos a serem seguidos e então você olha pro lado e não vê mais uma mão de apoio que pensou que sempre estaria ali, pode ser que surja outras mãos e por um tempo aquela ausência não lhe fará falta, até o dia em que os sentimentos guardados virão à tona e a saudade inunda o coração junto com a vontade que tudo volte a ser como antes, mas tantas fases foram passadas e a constante mudança torna isso impossível de acontecer, até porque nem você é a mesma pessoa de antes, e tudo o que vivemos é vivenciado uma vez apenas, mesmo quando tentamos repetir e agora nem mesmo podemos voltar no tempo e reviver as coisas (somente em pensamento). No fim, as lembranças são os registros únicos e durarão para sempre, mas não são o suficiente quando alguém muito importante para você não está mais ao seu lado.
Nunca dá para saber como vamos perder alguém , pode ser de maneira violenta ou simplesmente uma ruptura sem razões aparentes, mas de toda forma é sempre inesperado e sempre dói. Claro que o sentimento de perda sempre faz o coração ficar fragilizado, talvez porque nós, seres humanos, estamos tão acostumados com a possessão das coisas e acabamos esquecendo que no fundo as pessoas não nos pertencem... Mas quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração??
Nunca dá para saber como vamos perder alguém , pode ser de maneira violenta ou simplesmente uma ruptura sem razões aparentes, mas de toda forma é sempre inesperado e sempre dói. Claro que o sentimento de perda sempre faz o coração ficar fragilizado, talvez porque nós, seres humanos, estamos tão acostumados com a possessão das coisas e acabamos esquecendo que no fundo as pessoas não nos pertencem... Mas quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração??
A claridade estava me incomodando com certeza já passava das onze horas e eu deveria estar de pé a muito tempo, senti a cabeça latejar e quando abri os olhos, senti que estavam sensíveis, então tudo veio numa torrente e por um minuto desejei que tudo aquilo tivesse sido um sonho, parecia tão irreal, e as lágrimas voltaram aos meus olhos, lágrimas amargas que continham toda a dor do meu coração.
Uma parte de mim me culpava, me xingava, me agredia de todas as formas possíveis e a outra parte apenas se encolhia, eu sabia que tinha feito todas as escolhas, eu sabia que a culpa era minha, mas ver todo o rastro da felicidade ser atropelado, dizimado, acabou comigo. A aliança ainda estava no meu dedo, não tive coragem (ou força?) de tirá-la e em segundos pude ver tudo, desde o nosso primeiro encontro até nosso último beijo, salgado de lágrimas e tristeza.
Fazia tempo que eu não me sentia tão só, um vazio tão grande se apoderou de mim e a única coisa que tive forças para fazer foi continuar imóvel, mas as lágrimas ainda rolavam soltas e por mais que doesse, por pior que eu me sentisse eu tinha que levantar. Mas naquele momento o que eu queria era sair correndo e te encontrar, mesmo com os olhos inchados e o cabelo bagunçado, mas querer não é poder e minhas pernas não estavam fortes o suficiente pra chegar até você.
Eu não podia fazer isso, seria a prova da minha fraqueza, e eu fiz tudo isso por você, já não podia suportar ver a tristeza nos seus olhos e a reprovação na sua voz, não quando o que eu queria era a sua felicidade. Nunca pensei que chegaríamos nesse fatídico dia, que eu teria que escolher se nossos caminhos tão encruzilhados iriam finalmente se separar, a pior parte é que eu escolhi.
Agora sem você eu teria que me acostumar com o tempo vago, com o celular mais silencioso, com a falta que faria o seu abraço, e por mais que o "não" tivesse escapado da minha boca, a dor era maior do que pensei suportar. E foi assim que cheguei ao fim daquele fatídico dia, um inconfundível gosto de fel na boca, tão amargo quantos os sentimentos, levantando da cama apenas quando necessário e passando mais uma noite em claro.
A primeira vez que me dei conta que nem tudo pode durar para sempre, agora era hora de virar a página, não seria como um recomeço porque não houvera pausa, seria a continuidade, as lembranças seriam guardadas em um local onde não doesse tanto e um dia, um dia eu estaria pronta e disposta a refazer tudo de novo.
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"Eu vejo um horizonte trêmulo Eu tenho os olhos úmidos Eu posso estar completamente enganado Eu posso estar correndo pro lado errado" |
Sentiria falta daquela janela, companheira de infância, de onde ela observava todo o movimento da rua, onde se sentava e via o sol poente ou simplesmente sentia a brisa. Olhando pro quarto estranhou, suas coisas encaixotadas ou dentro das malas não estavam à vista e por um momento aquele era um quarto de um estranho, o único indício da sua passagem por ali era a flor lilás colada na parede, a única coisa que mostrava que aquele quarto havia sido de uma menina, mas não havia mais menina, então não haveria mais quarto.
Malas prontas, tudo preparado, dias de correria recompensados pela visão de tudo pronto, depois de dias se organizando, chegara o grande dia, o dia da partida, mais um passo a ser dado, era hora de seguir em frente. Mas agora que seus sonhos estavam tão próximos de se realizar, a euforia havia passado e um misto de sentimentos a dominava, principalmente medo, insegurança e tristeza...
Mas ela sabia que levaria todos esses sentimentos na mala e como já havia carregado-os por muito tempo, o peso lhe era familiar. E com essa sensação, de estar sobrecarregada, de levar mais pesos do que seu coração suportaria em circunstancias normais, ela entrou na rodoviária. Observando as cores e os ruídos, que sempre lhe incomodaram, afinal pra que tanta cor e tanto barulho juntos? Pra que tanta luz? Mesmo assim forçou-se a olhar, pois talvez fosse a última vez que iria ter a chance de criticar aquilo tudo... E sabia que sentiria falta.
Em um piscar de olhos e ela estava de frente para o ônibus que a levaria para uma nova vida, um novo lar, um novo começo. Um desconforto crescente dominava seu peito e se espalhava para o resto do corpo. Quando se deu conta as lágrimas grossas já rolavam pelo seu rosto e o desconforto aumentou e se tornou uma dor enorme em seu estômago, às vezes as escolhas que fazemos nos levam por caminhos que nunca pensamos percorrer e assim passamos por encruzilhadas, bifurcações e atalhos, nem sempre vale a pena, mas se você não se arriscar não poderá nem mesmo dizer que tentou e o tentar, parece, a parte mais importante.
O que veio em seguida foi uma combinação de tortura e alívio, abraços, beijos e lágrimas era só isso de todos os lados, as pessoas mais especiais para ela estavam ali, as pessoas mais importantes que ela ficaria muito tempo sem ver e outros que talvez não veria mais. Porque não tinham dito que seria tão difícil e tão dolorido dizer Adeus? Mas então veio o perfume, aquele perfume que a deixava inebriada desde a primeira vez que havia entrado em sua vida, em seguida viram os braço e em seguida ela estava de frente para olhos tão negros, os olhos que podiam enxergar sua alma, mais abraços, beijos e lágrimas, ele estava chorando tanto quanto ela, era a primeira vez que ela o via chorar.
A hora do ônibus partir se aproximava, o tempo resolveu correr derrepente e o que ela mais queria era ficar, queria que ele a segurasse pelos braços e dissesse para ficar, dissesse que tudo o que tinha acontecido tinha ficado no passado e que o lugar dela era ali ao lado dele. Não houvera nenhuma palavra, a porta do ônibus se abriu e quando ela estava apenas há um passo de entrar, uma mão se fechou em seu pulso e ela manteve-se imóvel, sentiu a proximidade do corpo dele, mas mal podia controlar a respiração.
"Eu te amo", ele disse e o coração dela deu um salto, "Por isso tenho que te deixar ir, mas espero que não seja um Adeus e sim um Até breve", enquanto ele a soltava e se afastava o corpo dela tremia. As escolhas já haviam sido feitas e o caminho que ela escolhera estava a frente, sim era hora de continuar.
Estava frio, mas isso não o incomodava, pois o corpo dela o aquecia profundamente. Já se passado algumas horas desde que eles estavam ali, seu braço a apertava delicadamente, como um simples sinal de amor por ela.
Ele pensava no que falar com ela enquanto as palavras saiam de sua boca sem ter a mínima noção de que ia agrada-la ou não, e assim ele começou a aproximar dela, mesmo sabendo que aquilo era exatamente o que ele queria, o medo o consumia por dentro, mas não foi o bastante para que o impedisse de aproximar-se dela um pouco mais.
Seus pensamentos eram claros e objetivos, sempre pensava mil vezes antes de tomar qualquer atitude, sabia que seu passado o condenava eternamente, sabia que ela deveria ter um passado desagradável também, pois seus caminhos se cruzaram por algum motivo. Em algum lugar da sua cabeça, alguma coisa tentava impedi-lo, mas não foi o suficiente.
O conjunto da cena o acalmava, pois gostava de frio, isso o ajudava a abraça-la para se aquecerem, o vento que batia em ambos era gelado e fraco, fazendo com que se abraçassem mais fortes, havia poucas pessoas ao redor, então não tinha quem os atrapalhasse de se beijarem, mas sua insegurança era imensa, não sabia se aquilo era certo ou errado, não sabia o que viria depois que se beijassem, se continuaria gostando dela, ou se era só uma paixão momentânea.
Inevitável, era exatamente isso que ele queria, se apaixonar por ela, e juntos ficarem para todo o sempre,em meio suas palavras malucas e confusas ele pensou, ela era sua alma gemea, mesmo ele não acreditando nesses mitos, ele sentia que alguma coisa de especial havia entre os dois, e que a partir daquele momento sua vida tomaria outro rumo. Então o momento tão esperado e inesperado ao mesmo tempo chegou, agora era tarde para fazer qualquer outra coisa, seus olhos fixaram-se um ao outro e vagarosamente se aproximaram.
Uma simples frase.
Uma troca de olhares cúmplices.
Um beijo, eternizado num momento.
Estava frio, mas essa era a última coisa que a preocupava, apesar do vento gelado, o calor que emanava do corpo dele era o suficiente para que ela se sentisse bem. Já não tinha certeza de quanto tempo estavam ali, ele com o braço ao redor dela protegendo-a do frio e ela com a cabeça encostada no peito dele, deixando-se proteger.
Conversavam sobre quase tudo, os mais diversos assuntos, tinham tanta coisa pra dizer, no entanto diziam apenas as menos importantes. Ela olhava para o chão na tentativa de esconder que estava encabulada com a situação, enquanto ele, despreocupadamente, beijava-lhe os cabelos entremeio uma frase e outra.
Ele falava mais que ela, ela estava preocupada em gravar cada detalhe de tudo. Desfrutava do contato físico que mantinham e se embriagava no perfume dele, ouvia sua voz e às vezes respondia, mesmo quando não prestava atenção no que ele falava. Não podiam estar num lugar melhor, apesar da praça movimentada e dos barulhos típicos de cidade grande, ela ainda podia distinguir o som do vento nas árvores e as folhas rolando pelo chão.
Talvez tenha sido isso, o conjunto da cena, somados ao carinho que emanava de cada toque dele, tudo parecendo tão impossível, e no entanto, estavam ali. Em sua cabeça ela via milhões de possibilidades que tornavam tudo extremamente simples e ao mesmo tempo imensamente complicado, a tensão e a expectativa lhe corroíam, será que estava pronta para dar o próximo passo?
Sim, ela sabia que no instante em que seus lábios tocassem os dele, entraria num caminho sem volta, isso fazia uma luz vermelha piscar dentro de sua cabeça, mas ao mesmo tempo ela queria ultrapassar aquele limite e podia sentir isso em todas as células de seu corpo. Ela sabia que era inevitável.
Talvez ele não fosse a pessoa certa, mas isso ela nunca fora, às vezes por mais tortos que pareçam, alguns caminhos se cruzam. Havia ainda muitas dúvidas, mas sempre era difícil ter certeza das coisas, uma certeza ela tinha, faria tudo de novo para chegar até aquele momento. Entre tantas incertezas, uma certeza ela tinha, chegara o momento derradeiro.
Uma simples frase.
Uma troca de olhares cúmplices.
Um beijo, eternizado num momento.
É difícil falar de você, não porque não conheço seus gostos e desgostos ou porque já não tenha decorado todos os traços do seu rosto, pelo contrário, procuro saber tudo o que te agrada para fazer suas vontades da mesma forma que já decorei cada expressão sua, cada gesto e cada olhar. Sei quando você está triste e às vezes parece que eu sinto e sofro junto, mas também sei quando é por minha causa, mesmo que involuntariamente, da mesma forma posso ver seus olhos sorrindo cada vez que eu digo "TE AMO".
O problema de falar de você é que cada vez que você se aproxima eu perco o ar por alguns segundos e nesses segundos qualquer outra coisa perde a importância...
O problema é que cada dia que passa fico mais dependente de você e já não sei como seria minha vida se você não estivesse ao meu lado. A menina que tinha planejado toda a vida de repente se viu assim, sem chão, sem rumo, simplesmente porque nada mais fazia sentido e nada voltaria a ser como era antes. E tudo porque você apareceu em minha vida.
E apesar do medo eu tive que aprender a dividir, não só o que eu sinto mas o que eu penso, o que eu quero e descobri que pode ser tão fácil e simples, tão natural, que é como se eu sempre estivesse esperando por isso, mesmo sem saber.
É difícil falar de você, simplesmente não encontro as palavras, as palavras certas e as erradas não servirão, e acho que nem mesmo os atos seriam suficiente é assim... simplesmente TE AMO...
O problema de falar de você é que cada vez que você se aproxima eu perco o ar por alguns segundos e nesses segundos qualquer outra coisa perde a importância...
O problema é que cada dia que passa fico mais dependente de você e já não sei como seria minha vida se você não estivesse ao meu lado. A menina que tinha planejado toda a vida de repente se viu assim, sem chão, sem rumo, simplesmente porque nada mais fazia sentido e nada voltaria a ser como era antes. E tudo porque você apareceu em minha vida.
E apesar do medo eu tive que aprender a dividir, não só o que eu sinto mas o que eu penso, o que eu quero e descobri que pode ser tão fácil e simples, tão natural, que é como se eu sempre estivesse esperando por isso, mesmo sem saber.
É difícil falar de você, simplesmente não encontro as palavras, as palavras certas e as erradas não servirão, e acho que nem mesmo os atos seriam suficiente é assim... simplesmente TE AMO...
O céu estava azul e o calor insuportável, ela podia sentir o suor escorrendo por suas costas, assim como a pouco, lágrimas rolavam pelo seu rosto, ia de cabeça baixa e se esforçava para não pensar em nada.
Ela caminhava, mas não via pra onde, não prestava atenção e mesmo que prestasse não tinha certeza de onde ir, estava perdida, seu único porto seguro em anos havia partido e agora ela não sabia com o que se importar, o que fazer ou mesmo para onde ir. Antes ele tivesse partido sem lhe dar a chance de se despedir, do que a troca de palavras duras e a cena que destruiu seu coração.
Quando foi que as coisas começaram a dar errado? Talvez no minuto em que ela percebeu que já era tarde demais. Agora tudo o que ela queria era uma chance de fazê-lo ficar, de mostrar tudo o que ela realmente sentia, mas infelizmente, era tarde demais.
Ele era seu melhor amigo e não seu namorado, ela não tivera chance de tocar seus lábios da forma que ansiou por tanto tempo, no entanto, outra o havia presenteado com o beijo que tantas vezes ela sonhara. E agora era apenas um sonho perdido.
Em meio aos pensamentos, ela caminhava, até dar-se conta que estava exausta. Seu corpo tremia, sua cabeça estava a ponto de explodir e seus olhos ardiam. Subitamente ela se lembrou do único lugar onde se sentiria melhor, estava um pouco mais aliviada, tinha um lugar onde queria ir.
Encostou-se na árvore que tantas vezes fora seu refúgio e finalmente deixou as lágrimas afloraram em meio aos soluços e aliviar todo o peso que carregava em seu coração.
Liane sonhava, perdida em seus pensamentos fez uma viagem no tempo, revivendo cada momentos. Via claramente o dia em que o conhecera, como tornaram-se amigos e tudo o que fez com que se apaixonasse por aquele menino com ar distraído e olhos inteligentes. Passou duas horas ali chorando, lamentando e se conformando até que finalmente parou, toda a enxurrada de sentimentos parou de verter e seus olhos voltaram a ficar secos. Aos pouquinhos seu mundo voltou ao normal.
Era hora de recomeçar.
Ofegante se sentou na cama. Os cabelos estavam desgrenhados, fruto do esforço desesperado da busca. "Onde está? Onde pode estar?", as perguntas giravam em sua cabeça, assim como as acusações de desastrada, idiota, estúpida, perder algo tão importante como aquele caderno, onde ela andava com a cabeça?
A capa era roxa, dentro havia o pedaço de um mundo, uma vida, desde a mais simples felicidade até dores que qualquer coração pode sentir, tudo o que não era dividido com mais ninguém estava ali, simples folhas de papel, mas guardavam tanto significado...
Segunda-feira era um dia terrível, mas Alice descobriu que após um final de semana horrível, uma segunda-feira poderia ser pior. Não conseguira encontrar seu caderno em lugar algum e ficou tão ocupada com isso que sequer lembrou da prova de matemática, não tinha nada de bom nesse dia.
Nem mesmo prestou atenção as conversas, queria saber o que aconteceu com seu caderno e mais nada. Na volta pra casa, sentou-se no ônibus e fechou os olhos se concentrando na música, apagando todos os outros pensamentos, tentando encontrar um motivo pra sorrir no meio de tudo que estava acontecendo nas últimas semanas.
Ela não viu quando ele entrou no ônibus, nem mesmo se deu conta de que haviam sentado ao seu lado. Estava naquele estado em que apesar de acordada a pessoa parece estar a galáxias de distancia ou em uma dimensão qualquer perdida no tempo e espaço.
Ao contrário, ele estava totalmente consciente da presença dela e notou cada detalhe, o tênue perfume que ela exalava, o rabo de cavalo despenteado e as olheiras e o ar grave que mostravam todo o cansaço. Ele sentiu uma enorme vontade de abraçá-la e ampará-la como se faz com uma criança, mas não se atreveria a isso.
Ela abriu os olhos, apesar de não ter vontade de ir pra casa, sabia que não tinha escolha e focou-se na janela em busca de uma referência. Quando dirigiu seu olhar para a janela do outro lado algo chamou sua atenção, a pessoa sentada ao seu lado segurava um caderno roxo, imediatamente seu coração disparou, levantou os olhos e deparou-se com uma imensidão verde que pareceu absorvê-la. Levou algum tempo pra perceber que ele lhe dirigia um sorriso, junto com o caderno de capa roxa.
Tudo o que ela conseguiu fazer foi pronunciar um sussurro de agradecimento, subitamente se levantou e deu sinal para o ônibus parar, Ricardo ficou aturdido com a reação da garota, mesmo assim não despregou os olhos dela. O ônibus parou, mas antes de descer ela fixou os olhos nos olhos dele e sorriu como a muito tempo não se permitia. Depois percebeu que mesmo na chuva ela poderia encontrar um motivo pra sorrir.
A chuva caía em pingos grossos contra a janela. A semana toda fora assim, chuvosa e triste. Nessas horas morar em uma cidade tão grande era terrível, principalmente devido ao trânsito e aos ônibus ainda mais lotados.
Essa última semana havia sido tão triste que lhe parecia que até mesmo as cores estavam apagas, desbotadas, talvez fosse por causa de chuva. Mas, Alice sabia que não tinha tempo para pensar nisso, deu uma última ajeitada nos longos cachos e foi para a cozinha.
Cinco minutos depois ela já atravessava a rua em direção ao ponto de ônibus habitual e seguir sua rotina, mal sabia ela que sua rotina não seria mais a mesma.
Chegou ao colégio e tudo correu normalmente, as aulas chatas, conversas animadas e finalmente o último sinal, hora de voltar pra casa. Sentou-se no ônibus com seu fones de ouvido tocando uma música qualquer a qual ela não prestava atenção, seus pensamentos estavam longe, distantes. Foi nesse momento que ele entrou.
Mais tarde ela se perguntou inúmeras vezes o que lhe chamou tanta atenção nele, talvez os músculos sob a camiseta branca, talvez os cachos que lhe davam um ar doce ou os olhos verdes intensos e brilhantes, capazes de hipnotizar.
Ele sentou ao lado dela e sentiu o coração sobressaltar-se quando os braços se roçaram e um arrepio percorreu seu corpo. "O que essa garota tem que fez meu corpo reagir ao mínimo toque?" se perguntou.
O perfume que ele exalava era delicioso e fez seu coração disparar, o que era estranho, ela nunca reagia assim aos garotos, sempre pareciam idiotas e não lhe despertavam interesse. Mas por algum motivo ela sentia que ele era diferente de qualquer um que ela havia conhecido até ali. Confusa com a quantidade de pensamentos que lhe assolavam ela concentrou toda sua atenção na janela e na paisagem que passava por ela e, surpresa, notou que havia parado de chover, decidiu então ir ao seu lugar favorito, uma praça onde, apesar de movimentada, ela podia se recostar em uma árvore e pensar.
Aproximava-se a hora de descer, Alice organizou as coisas que levava na mão e sua mochila, aguardou. Percebendo a movimentação da garota, Ricardo se reprendeu pela falta de coragem e apressou-se a levantar dando passagem dirigindo-lhe um sorriso acanhado.
A menina levantou e se encaminhou para a porta, não levantou os olhos em direção ao rapaz em nenhum momento, apesar dele não tirar os olhos dela. E em segundos intermináveis ele a viu partir.
Continua...















